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Cultura & Arte

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Os Vilões de Shakespeare: Marcelo Serrado esbanja talento interpretando Shakespeare por apenas 30 reais

Os Vilões de Shakespeare: divertido monólogo interpretado pelo lindo e tudo de bom Marcelo Serrado 😉 surpreende, diverte e educa público no teatro Eva Herz

Os Viloes de Shakespeare: acordei cedinho no sábado há 2 semanas atrás, o que sempre faço aos finais de semana, pois quero curtir cada minutinho dele! Pensei em ir ao teatro, e eis que me deparo com o “gato” Marcelo Serrado e sua peça Os Vilões de Shakespeare aqui em SP. Eu já tinha ouvido falar muito bem sobre a peça que estava no RJ, e então, comprei 4 ingressos, sem saber ao certo quem convidar para nos acompanhar ao Teatro Eva Herz. Detalhe: os ingressos estavam e estão com preço promocional de R$30, então, na boa? Corre para o site ingressorapido pois o espetáculo fica em cartaz apenas até meados de Abril. A peça, escrita pelo Inglês Steven Berkoff, traduzida por Geraldo Carneiro e dirigida por Sérgio Módena, investiga situações, comportamentos e traços de personalidade que modelam alguns dos algozes shakespearianos. Confesso que Shakespeare não me impactava tanto desde a minha visita, 6 anos atrás, à bela cidade de Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, onde pude conhecer mais sobre o autor e sua vida. O espetáculo de agora me fez lembrar uma pequena encenação que assisti nos jardins da casa onde ele havia nascido. Devo admitir que aprendi agora muito ainda mais sobre o autor e seus personagens com a interpretação precisa e inteligente de Serrado, que considero imperdível! O roteiro da peça é uma mescla de ficção e realidade, pois o ator hora representa personagens, hora conduz uma palestra acerca dos pormenores existentes nas figuras dos anti-heróis shakespearianos. O ator abre a peça interpretando um texto trágico da obra do Inglês, para, em seguida, acender as luzes e conversar com a plateia sobre o significado de vilania. Ele pergunta para gente quem são os vilões atuais, e claro, alguns moradores da cidade de Brasília não são perdoados! A cada novo personagem exposto, Serrado explica os meandros da vilania, para na sequência interpretar passagens do personagem escolhido onde podemos ver o vilão atuando. É incrível como a vilania, as disputas de poder e a ambição que moviam personagens maquiavélicos de quase 500 anos atrás podem ser vistas hoje de maneira tão clara em políticos do nosso tempo. O que mais me assusta é ver que seguimos sendo manipulados por eles ;-( Serrado investiga as causas e os motivos que tornam os personagens vilões, através de uma jornada psicológica em que não condenamos a maldade simplesmente, mas sim, entendemos como ela se constrói e evolui à luz dos fatos e acontecimentos das vidas dos diferentes personagens. Por serem muitos vilões a serem interpretados, as cenas são relativamente curtas, mas creio eu, são suficientemente profundas para nos transportar ao mundo dos famosos Coriolano, Macbeth, Hamlet, Shylock, Oberon e Iago. Serrado se desdobra para viver cada um destes vilões com personalidade própria, já que cada qual carrega um arquétipo distinto, como o dissimulado, o tirano, o vingativo, e até o ingênuo. Uma das frases que me marcou foi “O vilão nunca sabe que é vilão”, justificada pela não consciência, por exemplo, de inúmeros políticos que roubam e fazem mil desastres, mas que pensam que está tudo bem, que não há mal algum! Fica para mim, o desejo e o compromisso de pensar mais e melhor sobre os políticos nas próximas eleições, afinal, o que temos visto no Brasil dos últimos anos é uma vergonha e um completo absurdo! Já ia me esquecendo de comentar sobre a conveniência do estacionamento no subsolo do conjunto nacional, e da proximidade de diversos restaurantes, inclusive comentados aqui no CurtaSP para curtir a noite. Nós não resistimos, e munidos de nossos livrinhos 2 em 1, fomos jantar com o nosso casal de amigos no descolado e delicioso ICI Bistrô, mas essa história ficará para um próximo post 😉

Avaliação geral: 8,7/ Montagem: 8,5/ Atuação: 9,0 / Espaço: 8,0

CCBB: exposição milionária que pode ser visitada de graça no CCBB traz obras incríveis de Basquiat

Exposição Jean Michel Basquiat: exposição imperdível que custou R$15 milhões para ser exposta no CCBB vive lotada tamanho o interesse neste expoente do neoimpressionismo

Jean Michel Basquiat no CCBB: uau! Confesso que fiquei em êxtase e absolutamente impressionado com a exposição gratuita do Jean Michel Basquiat que rola no CCBB até 7/4/2018. Devo admitir que eu desconhecia o artista e sua obra. Fico mais uma vez, muito feliz e surpreendido pelas ótimas exposições que passam por aqui. A exposição custou R$15 milhões para poder ser exposta no Brasil e tem entrada gratuita -) Fomos ao CCBB para assistir ao belo e não mesmo impactante espetáculo L O Musical, que segue em cartaz no CCBB Belo Horizonte. Tínhamos pouco mais de 1 hora para curtir o museu antes da peça, e por serem apenas 80 obras entre pinturas, gravuras, cerâmicas e desenhos, pensamos que seria tranquilo. Ledo engano! Quase que não deu tempo, tamanho o público e nosso interesse em curtir no detalhe as obras do artista e suas explicações. É uma exposição incrível! A curadoria fez um ótimo trabalho, pois podemos curtir a obra e entender o contexto no qual Basquiat vivia. Basquiat, expoente do neoexpressionismo dos anos 80 abusa no uso de texturas e cores em diferentes linguagens, criando uma arte provocativa, instigante, intensa, realista e cheia de contradições que nos mostra o porquê do pintor norte-americano de ascendência afro-caribenha, ter sido tão cultuado em sua época, a despeito de ter falecido tão jovem, aos 27 anos.  Ele viveu na caótica Nova Iorque do final dos anos 70 e início dos anos 80.  A economia estava próxima a um colapso, o que barateou o custo de vida de Manhattan, propiciando o encontro de muitos jovens talentosos que tinham poucos recursos. O caldo cultural resultante era muito rico, permitindo o nascimento de artistas brilhantes como Basquiat. Neste ambiente, a pintura, outrora desvalorizada, reganhava força, e a liberdade de expressão era total. As pinceladas de Basquiat eram dotadas de emoção, energia, e liberdade de criação. Ele foi influenciado pelo grafite, o que pode ser visto no dinamismo dos seus movimentos, e no aspecto inacabado de suas obras. Basquiat, inclusive, dizia que sabia desenhar, mas que lutava contra isso, pois ele entendia que podia extrair mais força e energia das suas obras, através de desenhos inacabados. Ele usava uma linguagem rica e vasta, misturando pinturas, palavras, colagens e sentimentos. Sinceramente, as vezes eu não sabia direito quando um quadro virava desenho e quando um desenho se tornava um quadro, mas o fato é que fui fortemente impactado por sua obra. Basquiat era negro, em uma época de mundo artístico predominantemente branco, o que lhe influencia sobremaneira, trazendo contradição e crítica à sua obra. Ele chamou a atenção do mundo para a falta de diversidade no mundo artístico, e não raro homenageou artistas negros em seus quadros, expondo a dor e as dificuldades vividos pelos negros nos EUA. Outro elemento significativo para o desenvolvimento do artista foi sua amizade com Andy Warhol. Eles tinham uma grande sintonia, e se energizavam com a criatividade um do outro, o que lhes propiciou a criação e colaboração em diversas obras, aonde um pintava sobre a pintura do outro. Já imaginou? Warhol aconselhava o jovem artista, e lhe dava segurança para pintar e seguir seu trabalho. Basquiat viajou o mundo com suas obras durante sua vida, encurtada devido a uma overdose, algo comum e aceito naquela época, no meio artístico. Vale notar que Warhol faleceu pouco antes de Basquiat, o que impactou sobremaneira o jovem artista. É uma pena que o talentoso Basquiat tenha falecido tão cedo, porém, muito me alegra saber que a genialidade do artista foi reconhecida rapidamente entre os colecionadores e críticos da sua época. Acredito que podemos extrair muito desta exposição. E você? Já esteve lá? Adoraria saber como foi! E caso não tenha tido a oportunidade, corre, pois, a exposição termina em 2 semanas!

Avaliação geral: 8,5/ Acervo: 8,5/ Estrutura: 8,5/ Interatividade: 8,5

A mulher de Bath: Maitê Proença encanta com charme, beleza e atuação marcante no SESC Bom Retiro

A mulher de Bath: Espetáculo estrelado por Maitê Proença discute papel da mulher em nossa sociedade no ótimo e conveniente teatro do SESC em curta temporada

A mulher de Bath: estes dias tenho frequentado bastante a região central de São Paulo por conta de um curso de Francês que estou fazendo na unidade da Aliança Francesa que fica na região central da cidade. Por este motivo, tenho buscado aproveitar mais o que a região oferece, e um dos programas que fiz foi assistir a peça A mulher de Bath, encenado por Maitê Proença, no SESC Bom Retiro. Ela ficará em cartaz por alguns poucos dias, então, caso se interesse, corra para compre logo o ingresso para assistir a esta atriz sexagenária, sim, ela tem 60 anos, e segue bela e exuberante como sempre. O espetáculo fala sobre o papel das mulheres na sociedade masculina através de um texto escrito por Geoffrey Chaucer, no século 14. Tudo começa maravilhosamente bem, com a atriz entrando no palco e conversando de maneira franca com o público sobre o que será encenado a seguir. Uma atitude simpática e educativa, eu diria. Maitê interpreta uma senhora arrojada para aquele tempo, pois ela era livre, corajosa, e absolutamente bem-humorada. A história traz à tona os 5 casamentos que uma viúva havia tido e as artimanhas e truques impostos por ela para manter sua autonomia em todas estas relações. A conversa e a reflexão são atuais, porém em diversos momentos, os clichês aparecem, e então o roteiro perde um pouco de sua força e algumas reflexões acabam por ser simples para estes novos tempos. Ainda assim, na minha concepção, a peça é muito boa. A simplicidade do cenário e do figurino forçam o espectador a entrar no roteiro e nas reflexões da peça. O espaço do Teatro SESC no Bom Retiro é ótimo, seja por contar com estacionamento barato e conveniente, seja por ser um teatro espaçoso e com ótima estrutura. Finalmente a atuação da bela atriz é ótima, e a resposta a questão sobre “O que exatamente todas as mulheres buscam na vida?” que a mesma dá ao final da peça me parece absolutamente verdadeira, ainda que o tom e conteúdo da resposta possam incomodar a uns e outros.

Avaliação geral: 8,6/ Montagem: 8,0/ Atuação: 9,0 / Espaço: 8,5

Fuerza Bruta: argentinos empolgam público paulista com espetáculo moderno, interativo e criativo

Fuerza Bruta se apresenta no Citibank Hall em curta temporada o festejado espetáculo que tem feito fãs por todo o mundo

Fuerzabruta: Uau! Neste último final de semana minha esposa me fez uma pequena surpresa. Me levou ao espetáculo Fuerza Bruta que voltou a São Paulo depois de passar por diversas cidades ao redor do mundo. O espetáculo está no Citibank Hall, e de fato, traz um conceito inédito aos palcos brasileiros. O grupo argentino apresenta seus números em 360 graus, com muita música, dança, acrobacias e interatividade. O mistério é parte importante da apresentação, desde o início, quando somos obrigados a entrar no espaço do show meio sem saber exatamente como e por onde, pois caminhamos por dentro de estruturas plásticas que não nos permitem ver o palco e nem o que está por vir. O espetáculo emociona o público desde o começo, mas é inegável, que ao longo do tempo, a empolgação vai crescendo, seja devido a forte interatividade dos números, seja por apresentar cenas e acrobacias intensas e divertidas. A duração não é longa, até porque todos assistimos o espetáculo em pé, mas a intensidade é alta o tempo todo. Os tambores não param de bater e as luzes fortes, e cenários criativos e interativos impressionam o público, que fica surpreso a cada nova cena que aparece, pois, nunca sabemos o que esperar. No final está todo mundo pulando e dançando na pista, quase como se fosse uma balada 😉 É surpresa e diversão garantida. Super recomendado!

Avaliação geral: 8,6/ Montagem: 9,0/ Atuação: 8,5 / Espaço: 8,0

MIS: exposição imperdível fala sobre a intimidade e sucessos do mito Renato Russo e do Legião Urbana

MIS: maior exposição já realizada pelo MIS fala sobre a intimidade de Renato Russo e do Legião Urbana, que influencia gerações com poesias delicadas e letras marcantes

MIS Exposição Renato Russo: algumas semanas atrás, visitamos a nova exposição que se encontra no MIS, sobre o querido Renato Russo. Eu, por já ter 40 anos, vivi e curti a carreira do artista junto ao Legião Urbana durante minha adolescência, e então seus shows, letras e músicas me trazem centenas de boas recordações. Eu considero o Renato Russo, como um dos grandes poetas da minha adolescência, e uma voz crítica em relação ao país que construíamos, ou quem sabe, desconstruíamos naquele momento. Para quem não sabe, Renato Russo era extremamente metódico, detalhista e organizado, e por estes motivos, ele escrevia e mantinha diários e milhares de objetos em seu apartamento do Rio de Janeiro. Tudo isso permaneceu intocado até 2015, quando seu filho Giuliano Manfredini permitiu ao MIS que tratasse e catalogasse todo o material, e eis que o resultado disso tudo é a maior exposição já feita pelo Museu, pois o acervo é fantástico! A exposição mostra a história do artista a partir de mais de mil objetos pessoais, entre eles fotos, cadernos de escola, diários, manuscritos, vídeos, instrumentos musicais, objetos, cartas de fãs, reportagens, entre outros. Logo na entrada, o colorido corredor que dá acesso a exposição está tomado por notícias, cartazes, e palavras de ordem da época do Legião, como a célebre frase “ninguém respeita a constituição” que faz parte de uma de suas letras, e que segue tão atual, não é verdade? A exposição não está organizada de maneira temporal, nem por ordem de álbuns ou músicas, o que nos dá a liberdade de explorarmos o que mais nos interessa ao nosso ritmo. Adorei ter acesso a intimidade do artista, o que pode ser visto, por exemplo, em um de seus cadernos da época da escola, aonde vemos uma folha inteira com os dizeres “não devo rasgar o caderno do colega” 😉. Outra peça muito intima é uma carta que o artista escreveu para si mesmo durante períodos de internação contra o vício de drogas e álcool. Forte e visceral! O quarto de Renato também conta um pouco sobre o artista. É simples, sem nenhum luxo, e até um pouco sombrio com móveis antigos e um ar de quarto da casa da vó, sabe? Aprendemos muito sobre a história do artista e sobre o que estava por detrás de Renato Manfredini Junior, o verdadeiro nome no artista. Entendi, enfim, o porquê de Renato Russo ter diversas músicas em Inglês tão bem escritas e cantadas. Para quem não sabe, a sua mãe era professora de Inglês, e ele ainda morou alguns anos nos EUA durante a sua adolescência. Gostei também de ver aquela bata branca que o artista usou em shows emblemáticos, e tudo isso com músicas do Renato Russo tocando ao fundo! A exposição ainda mostra alguns shows do artista, e diversos instrumentos da banda. Fiquei maluco ao ver a evolução da letra de diversas músicas, já que para certas músicas são expostas diversas versões das letras, desde a sua concepção inicial até a letra final. É interessante ver a mudança nas letras, os comentários do próprio autor, e assim entender o quão difícil, demorado, e penoso é chegar a um trabalho final de qualidade. Ele era tão organizado que escrevia “rascunho 1”, “rascunho 2”e assim vai, até a concepção final das letras! Vimos bastante coisa também relacionado aos shows, com as ideias de que músicas tocar, a ordem das mesmas e o porquê daquelas músicas estarem ali, ou seja, entramos um pouco na intimidade e estratégia usada pela banda para ter mais sucesso com a crítica e o público. Vale notar também a parede recheada de cartas de fãs. Fiquei horas lendo algumas delas para entender como eles se relacionavam com o artista. Demais! No final da exposição, você ainda tem a possibilidade de assistir ao clip do hit “Tempo Perdido” através destes óculos de realidade virtual, sabe? Você verá diversas pessoas interpretando a música e você pode entrar em cada ambiente em 360 graus. Muito legal, né? Preciso falar mais alguma coisa? Visite a exposição. Vale muito a pena!

Avaliação geral: 8,7/ Acervo: 9,0/ Estrutura: 8,5/ Interatividade: 8,5

CCBB – A plenos pulmões: peça sobre famoso poeta Maiakovski emociona público com atuações brilhantes

CCBB – A plenos pulmões: encenação sobre um dos principais poetas que deu voz à Revolução Russa do início do século XX emociona com texto forte e belas atuações

No final de semana retrasado, eu e minha esposa fomos curtir o centro de São Paulo! Queríamos assistir a uma boa peça, e foi então que comprei ingressos para assistir à peça “A plenos pulmões” que está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. O CCBB é um dos espaços que mais gosto na cidade, pois apresenta grandes exposições e espetáculos a preços populares, e conta com uma charmosa cafeteria, aonde sempre damos uma paradinha. Confesso que minha expectativa era das mais altas em relação à peça, seja por trazer prosa e versos de Vladimir Maiakovski, de quem sou um grande fã; seja por ter a participação da atriz Georgette Fadel, que é uma artista que acompanho e adoro; seja por ser encenada no pequeno teatro do CCBB, que permite forte proximidade dos artistas com o público, ideal para este tipo de texto. E não é que a peça foi de fato surpreendente? A montagem é simples, porém transporta o público para o ambiente revolucionário em que o artista viveu. E as atuações estavam divinas. Eu desconhecia o trabalho do Luciano Chirolli que divide o palco com a Georgette, mas de cara me tornei um fã, seja pela convicção de suas falas e do seu olhar, pela maneira vibrante como transmite a força e ao mesmo tempo as dúvidas e fraquezas de Maiakovski, seja pelas mudanças acertadas no ritmo e nas emoções exaltadas na declamação das poesias ao longo da peça. O roteiro permite ao público conhecer não somente o lado revolucionário e a influência de Maiakovski sobre a revolução russa, mas também o lado pessoal do artista, discorrendo sobre seus relacionamentos, amores, influências e temores, que ao final, acabam por encurtar sua vida. Georgette representa uma leitora contemporânea, além de declamar poemas e personificar mulheres que passaram pela vida do poeta, o que facilita o entendimento do contexto histórico em que se encaixam as poesias do artista, e escancara os sentimentos e as angústias do poeta, em seu lado pessoal e profissional. O público pode então relaxar e curtir a ótima atuação dos dois atores, que dividem o palco discursando e recitando as emoções do artista, sempre à flor da pele, sempre a plenos pulmões! Corra, pois o ingresso é baratinho (R$20 a inteira) e a peça fica em cartaz somente até 18/09. Caso não consiga comprar o ingresso pela internet através do Eventim, vale chegar no máximo até 1 hora antes do espetáculo, pois neste momento é que as filas de espera para ingressos provenientes de desistências tomam corpo. Detalhe: sempre vejo diversas pessoas conseguirem ingressos provenientes de desistências.

 

Avaliação geral: 8,8/ Montagem: 8,0/ Atuação: 9,0/ Espaço: 8,5

MAC: ainda que gratuito, o MAC que conta com um dos maiores acervos da cidade, segue desconhecido

MAC: aos poucos, o Museu de Arte Contemporânea vai ocupando o gélido prédio de Oscar Niemeyer, que servia como sede do DETRAN, com ótimas exposições

Há alguns meses fui a um evento que rolou à noite no MAC-USP que fica em frente ao parque do Ibirapuera – era a Heineken Experience. Lamentavelmente não pude visitar o museu, o que acabei de fazer no início deste mês. Fiquei impressionado com a comodidade do estacionamento, gratuito e enorme, que o museu oferece, ao menos nos finais de semana, e também com o tamanho da exposição, pois o museu conta com 7 andares recheado por obras e exposições das mais diversas, que fazem parte do enorme acervo que conta com 12 mil obras. Claro que nem todas estão expostas, o que nem faria sentido, pois todo bom museu no mundo apresenta apenas parte do seu acervo, que se renova a partir de exposições temporárias, o que deve acontecer por aqui. Vale lembrar, no entanto, que o MAC ocupou o gélido prédio do antigo DETRAN há poucos anos, e então, o trabalho dos curadores tem sido o de rechear seus andares com exposições interessantes que mostrem toda riqueza cultural deste brilhante acervo. Porém, é triste ver um museu desta envergadura vazio, e com turistas, em sua maioria, de fora da cidade. Nós, paulistanos, não aproveitamos tudo o que a cidade oferece, e por vezes reclamamos que não há nada para fazer na cidade! Não é verdade, e eis aqui uma mostra disso. As exposições não seguem uma regra muito específica, especialmente em relação à cronologia, mas existe sim uma certa organização entre os andares para facilitar a visita. Sugiro que você suba ao 7º andar e vá descendo até o 1º andar e então ao Mezanino, de forma a otimizar seu tempo. Lá em cima, você encontrará dois andares com a exposição permanente, chamada de “A Instauração do Moderno” que conta com quase 200 obras, todas do século XX, que ficarão expostas por 5 anos. O foco aqui é mostrar o processo de instauração da arte moderna no Brasil. Não é uma mostra exaustiva, porém permite ao público passar pelas principais escolas e movimentos artísticos do século passado com obras de alto calibre. Não citarei os nomes dos artistas expostos, pois são tantas obras nestes e nos outros andares, que dificilmente você deixará de encontrar algo do seu artista favorito. Mais abaixo vem a exposição “Reserva em Obras” que mostra um pouco dos bastidores do museu, pois não é apresentada sob um tema especifico ou sob escolhas curatoriais fechadas. Esta exposição oferece ao visitante a oportunidade de dedicar seu olhar no que mais lhe interessa, e oferece à equipe do museu, a possibilidade de encontrar novas articulações que poderão ser expostas em novas exposições. Ainda que não seja tão fácil lidar com esta “modernidade” gostei deste toque de improvisação do museu, enquanto o mesmo não é finalizado. Outra exposição interessante se intitula “A casa”, que retrata o célebre poema de Vinicius “Era uma casa, muito engraçada, não tinha teto, não tinha nada”, pois através dos elementos de uma casa, faz refletir e ressignificar o uso e as funções das coisas, seja na casa, seja na arte. Outra exposição que me chamou a atenção se chama “Vizinhos Distantes”. Ela traz obras do nosso continente como contraposição ao caminho habitual de valorizarmos obras do Hemisfério Norte, ou seja, dos nossos colonizadores. Esta relação colônia-metrópole fez com que ao longo da história não houvesse nem diálogo nem valorização pela arte destes vizinhos, e por este motivo, o repertório artístico deles é tão distinto do nosso. Trata-se de uma exposição heterogênea, híbrida e mestiça, que lança um novo olhar à integração para com estes países, que ao final, têm tanto em comum conosco. Como principal ponto a melhorar, o MAC, que guarda a palavra Contemporâneo em seu nome, e que fala tanto sobre a modernidade, é pouco moderno! Falta um aplicativo, ou guias áudio visuais, ou visitas guiadas aos finais de semana sem que seja necessário agendar previamente, para auxiliar os visitantes a navegarem mais profundamente pelas exposições. O melhor que tivemos de interatividade em nossa visita foi um segurança pró-ativo e “fofo” que por boa vontade, nos explicou uma parte da exposição 😉. Ufa, cansei! E olha que deixei de lado outras ótimas exposições que estão rolando no MAC. Tenho certeza que vocês poderão refletir sobre elas assim que o visitarem, e não se esqueçam de dar uma paradinha no charmoso Vista Café que fica no mezanino, motivo de outro post aqui no CurtaSP.

Avaliação geral: 8,1/ Acervo: 9,0/ Estrutura: 7,5/ Interatividade: 7,5

Fundação Ema Klabin: exposição mais interessante de SP segue intocada e desconhecida pelo paulistano

Fundação Ema Klabin: melhor e mais divertida exposição da cidade empolga amantes das artes e é exemplo a ser seguido por outros museus do país

Algumas semanas atrás, ao deixar o carro estacionado nas ruas do Jardim Europa, me deparei com o Museu Casa Ema Klabin, que fica em frente ao MIS. Planejei visitar o mesmo neste domingo, e confesso, humildemente, que desconhecia a beleza e os encantos do museu mais interessante da cidade. Preciso, evidentemente, explicar o porquê de haver gostado tanto do museu, e as razões pelas quais eu desconhecia completamente a sua existência. Primeiro, é bom notar que até o ano passado, ele só abria caso ligassem para o mesmo e agendassem uma visita. Difícil, né? Mas já há alguns meses, o museu casa Ema Klabin fica aberto no período da tarde, sem que você precise ligar para eles com antecedência. O mais impressionante por aqui não são exatamente as obras expostas, que sim, são de muito valor e são muito interessantes, e nem tão pouco a tranquilidade do jardim desenhado por Burle Marx e do espaço onde a mansão se encontra, mas sim, a aula de história da arte e o aprendizado que tiramos da visita ao museu. Como visitei o mesmo no final de semana, fiquei isento de pagar a taxa de entrada, que, se não me engano, era algo como R$ 10. Tranquilo, né? Ao entrar no museu, vimos alguns guias dando explicações sobre as diferentes obras e espaços, e então, aprendemos, que os guias, na verdade, são educadores, formados por estudantes de História da Arte ou de Artes Plásticas de escolas prestigiadas da capital, que simplesmente emprestam seu tempo à instituição para aprender e ensinar sobre as obras ali expostas. Já viajei muito pelo Brasil e pelo mundo, mas nunca, e repito, nunca, tive um educador, como eles gostam de ser chamados aqui nesse museu, que me acompanhasse por mais de 1 hora, apontando e contando as histórias por detrás da aquisição e da exposição de cada obra de arte desta casa museu. E vejam o desafio! A casa apresenta centenas de obras adquiridas ao longo da vida de Ema Klabin, que remetem a diferentes períodos da história: grego, romano, renascentista, modernismo, entre outros, e diferentes geografias: Europa, Américas, Ásia e África. E os educadores conversam e discutem conosco não somente sobre a história por detrás da aquisição de cada peça, mas também sobre os diferentes aspectos e características de cada uma delas, desde o momento histórico que foram concebidas até os materiais empregados, e a sua composição nesta casa com obras diversas e magníficas. A disposição dos objetos de arte nesta casa, permanecem, na verdade, de maneira muito similar ao que se podia ver na época em que Ema vivia na casa. Muito legal, não? Na verdade, passamos quase 90 minutos falando sobre história da arte com alguém que tinha conhecimento e gosto por isso. Agora te pergunto. Em que museu deste mundo temos este tipo de oportunidade, e de graça? Eu desconheço, e é por este motivo, que considero a visita a este museu uma grande surpresa, e um must para qualquer paulistano ou turista que esteja passeando por nossas terras. Acabei não falando das obras que se encontram na casa. Bem, trata-se de pinturas, esculturas e objetos muito importantes, historicamente, seja pelo período e locais onde foram concebidos, seja pelos artistas que o conceberam, como é o caso de Marc Chagall, Lasar Segall, Brecheret, Tarsila do Amaral, entre tantos outros expostos neste aconchegante e imperdível museu.

MIS: ótima exposição sobre Steve Jobs fala da figura mais controversa e impactante deste século

MIS: Steve Jobs, o Visionário faz visitantes refletirem sobre inovação e criatividade e o tênue elo entre fracasso e sucesso em nosso tempo

Nesta semana, enfim, visitei a exposição sobre o Steve Jobs no MIS. Parei o carro na rua ao lado, na frente de um novo museu que será visitado em breve, a Fundação Ema Klabin. A exposição estava bem vazia, se comparada à mostra sobre o Silvio Santos do início do ano, ou à do Tim Burton do ano passado. Gostei da exposição, pois além de tratar de uma das personalidades mais marcantes dos últimos anos, traz reflexões importantes sobre criatividade e inovação. A exposição mostra um pouco da história do Steve Jobs a partir de fotos, filmes, objetos, reportagens, e produtos históricos dele ou de pessoas ligadas a ele ao longo de sua vida. Havia algumas peças interessantes na exposição, e uma delas que me chamou bastante a atenção foi um exemplar de um de seus maiores fracassos, o Apple I, avaliado em 1 milhão de dólares – e olha que é só uma placa com diversos circuitos, hein? O MIS costuma se esforçar para criar exposições lúdicas e interativas, o que também foi feito desta vez, porém, me parece que o tema era um pouco mais difícil de ser explorado do que o usual. Algo que me fez pensar muito foi o fato de que para cada grande sucesso do Jobs, ele teve um fracasso de igual ou maior tamanho, e era a busca incessante pela perfeição e a tentativa de proporcionar a todos os ganhos advindos das tecnologias presentes que fizeram de Steve Jobs o personagem que mais influenciou na mudança das nossas vidas nas últimas décadas. Foi ótimo ver também os trabalhos dele dos tempos de Pixar, que são absolutamente maravilhosos, como Toy Story e outras animações que vieram na sequência. Recomendo fortemente que passem uma horinha na exposição, pois criatividade chama e clama por mais criatividade, e nunca é demais para nós ganharmos uma inspiração para sermos mais inovadores, não é?

Museu Lasar Segall: exposição gratuita com obras de Picasso, Miró e Dalí expõem belo museu da cidade

Museu Lasar Segall: casa que abriga obras do artista Lasar Segall é uma destas joias raras a serem descobertas e curtidas em nossa cidade

Este domingo de sol foi daqueles dias cheios, sabe? No final da tarde, demos um pulo no Museu Lasar Segall que fica ao lado da estação de Metrô Santa Cruz. Fazia tempo que eu não frequentava a região pela qual tenho tanto carinho, e esta visita foi uma grata surpresa! Li sobre o espaço no querido Catraca Livre na semana passada, e então, por se tratar de uma exposição gratuita de grandes nomes da arte, resolvemos conferir. Ao chegar no museu, fiquei surpreso em saber que ele está completando 50 anos agora. Fiquei ainda mais surpreso por saber que existe uma exposição permanente no local, com pinturas, esculturas e gravuras de Lasar Segall, e também uma pequena sala de cinema com 90 lugares que exibe dois filmes pouco comerciais, mas escolhidos a dedo, em 2 sessões diárias, sendo uma as 17h e outra as 19h, à exceção das terças-feiras quando o museu está fechado. Não pudemos ficar para conferir os filmes, mas certamente o faremos nas próximas semanas. Primeiro visitamos a exposição pela qual fomos ao museu, chamada de Tesouros da Coleção Fundação Mapfre que exibe desenhos incríveis de artistas renomados como Matisse, Picasso, Miró, Dalí e Dominguez. Eram esboços, desenhos feitos nas costas de guardanapos, estudos que viriam a se tornar quadros mais a frente, que abrangem um período entre o final do século XIX e meados do século XX, em um momento em que o desenho assumiu duplo papel: o de ser um meio criativo para execução de outras obras e agora, um meio de arte independente, rico e suficiente em si mesmo. A exposição está interessante e fácil de se navegar, e o museu, quase vazio por ser desconhecido permite aos visitantes curtir cada obra com tempo e tranquilidade. Em menos de 1 horinha, já havíamos visto tudo por ali, quando então fomos conhecer um pouco da obra do Lasar Segall, esplêndida por sinal. Eram poucas as obras expostas, mas de uma força e significado, que nos deixaram com vontade de conhecer ainda mais sobre a história e as obras do famoso artista nascido na Lituânia e radicalizado no Brasil desde o final da 1ª guerra mundial.