Exposição Jean Michel Basquiat: exposição imperdível que custou R$15 milhões para ser exposta no CCBB vive lotada tamanho o interesse neste expoente do neoimpressionismo

Jean Michel Basquiat no CCBB: uau! Confesso que fiquei em êxtase e absolutamente impressionado com a exposição gratuita do Jean Michel Basquiat que rola no CCBB até 7/4/2018. Devo admitir que eu desconhecia o artista e sua obra. Fico mais uma vez, muito feliz e surpreendido pelas ótimas exposições que passam por aqui. A exposição custou R$15 milhões para poder ser exposta no Brasil e tem entrada gratuita -) Fomos ao CCBB para assistir ao belo e não mesmo impactante espetáculo L O Musical, que segue em cartaz no CCBB Belo Horizonte. Tínhamos pouco mais de 1 hora para curtir o museu antes da peça, e por serem apenas 80 obras entre pinturas, gravuras, cerâmicas e desenhos, pensamos que seria tranquilo. Ledo engano! Quase que não deu tempo, tamanho o público e nosso interesse em curtir no detalhe as obras do artista e suas explicações. É uma exposição incrível! A curadoria fez um ótimo trabalho, pois podemos curtir a obra e entender o contexto no qual Basquiat vivia. Basquiat, expoente do neoexpressionismo dos anos 80 abusa no uso de texturas e cores em diferentes linguagens, criando uma arte provocativa, instigante, intensa, realista e cheia de contradições que nos mostra o porquê do pintor norte-americano de ascendência afro-caribenha, ter sido tão cultuado em sua época, a despeito de ter falecido tão jovem, aos 27 anos.  Ele viveu na caótica Nova Iorque do final dos anos 70 e início dos anos 80.  A economia estava próxima a um colapso, o que barateou o custo de vida de Manhattan, propiciando o encontro de muitos jovens talentosos que tinham poucos recursos. O caldo cultural resultante era muito rico, permitindo o nascimento de artistas brilhantes como Basquiat. Neste ambiente, a pintura, outrora desvalorizada, reganhava força, e a liberdade de expressão era total. As pinceladas de Basquiat eram dotadas de emoção, energia, e liberdade de criação. Ele foi influenciado pelo grafite, o que pode ser visto no dinamismo dos seus movimentos, e no aspecto inacabado de suas obras. Basquiat, inclusive, dizia que sabia desenhar, mas que lutava contra isso, pois ele entendia que podia extrair mais força e energia das suas obras, através de desenhos inacabados. Ele usava uma linguagem rica e vasta, misturando pinturas, palavras, colagens e sentimentos. Sinceramente, as vezes eu não sabia direito quando um quadro virava desenho e quando um desenho se tornava um quadro, mas o fato é que fui fortemente impactado por sua obra. Basquiat era negro, em uma época de mundo artístico predominantemente branco, o que lhe influencia sobremaneira, trazendo contradição e crítica à sua obra. Ele chamou a atenção do mundo para a falta de diversidade no mundo artístico, e não raro homenageou artistas negros em seus quadros, expondo a dor e as dificuldades vividos pelos negros nos EUA. Outro elemento significativo para o desenvolvimento do artista foi sua amizade com Andy Warhol. Eles tinham uma grande sintonia, e se energizavam com a criatividade um do outro, o que lhes propiciou a criação e colaboração em diversas obras, aonde um pintava sobre a pintura do outro. Já imaginou? Warhol aconselhava o jovem artista, e lhe dava segurança para pintar e seguir seu trabalho. Basquiat viajou o mundo com suas obras durante sua vida, encurtada devido a uma overdose, algo comum e aceito naquela época, no meio artístico. Vale notar que Warhol faleceu pouco antes de Basquiat, o que impactou sobremaneira o jovem artista. É uma pena que o talentoso Basquiat tenha falecido tão cedo, porém, muito me alegra saber que a genialidade do artista foi reconhecida rapidamente entre os colecionadores e críticos da sua época. Acredito que podemos extrair muito desta exposição. E você? Já esteve lá? Adoraria saber como foi! E caso não tenha tido a oportunidade, corre, pois, a exposição termina em 2 semanas!

Avaliação geral: 8,5/ Acervo: 8,5/ Estrutura: 8,5/ Interatividade: 8,5

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