Fundação Ema Klabin: melhor e mais divertida exposição da cidade empolga amantes das artes e é exemplo a ser seguido por outros museus do país

Algumas semanas atrás, ao deixar o carro estacionado nas ruas do Jardim Europa, me deparei com o Museu Casa Ema Klabin, que fica em frente ao MIS. Planejei visitar o mesmo neste domingo, e confesso, humildemente, que desconhecia a beleza e os encantos do museu mais interessante da cidade. Preciso, evidentemente, explicar o porquê de haver gostado tanto do museu, e as razões pelas quais eu desconhecia completamente a sua existência. Primeiro, é bom notar que até o ano passado, ele só abria caso ligassem para o mesmo e agendassem uma visita. Difícil, né? Mas já há alguns meses, o museu casa Ema Klabin fica aberto no período da tarde, sem que você precise ligar para eles com antecedência. O mais impressionante por aqui não são exatamente as obras expostas, que sim, são de muito valor e são muito interessantes, e nem tão pouco a tranquilidade do jardim desenhado por Burle Marx e do espaço onde a mansão se encontra, mas sim, a aula de história da arte e o aprendizado que tiramos da visita ao museu. Como visitei o mesmo no final de semana, fiquei isento de pagar a taxa de entrada, que, se não me engano, era algo como R$ 10. Tranquilo, né? Ao entrar no museu, vimos alguns guias dando explicações sobre as diferentes obras e espaços, e então, aprendemos, que os guias, na verdade, são educadores, formados por estudantes de História da Arte ou de Artes Plásticas de escolas prestigiadas da capital, que simplesmente emprestam seu tempo à instituição para aprender e ensinar sobre as obras ali expostas. Já viajei muito pelo Brasil e pelo mundo, mas nunca, e repito, nunca, tive um educador, como eles gostam de ser chamados aqui nesse museu, que me acompanhasse por mais de 1 hora, apontando e contando as histórias por detrás da aquisição e da exposição de cada obra de arte desta casa museu. E vejam o desafio! A casa apresenta centenas de obras adquiridas ao longo da vida de Ema Klabin, que remetem a diferentes períodos da história: grego, romano, renascentista, modernismo, entre outros, e diferentes geografias: Europa, Américas, Ásia e África. E os educadores conversam e discutem conosco não somente sobre a história por detrás da aquisição de cada peça, mas também sobre os diferentes aspectos e características de cada uma delas, desde o momento histórico que foram concebidas até os materiais empregados, e a sua composição nesta casa com obras diversas e magníficas. A disposição dos objetos de arte nesta casa, permanecem, na verdade, de maneira muito similar ao que se podia ver na época em que Ema vivia na casa. Muito legal, não? Na verdade, passamos quase 90 minutos falando sobre história da arte com alguém que tinha conhecimento e gosto por isso. Agora te pergunto. Em que museu deste mundo temos este tipo de oportunidade, e de graça? Eu desconheço, e é por este motivo, que considero a visita a este museu uma grande surpresa, e um must para qualquer paulistano ou turista que esteja passeando por nossas terras. Acabei não falando das obras que se encontram na casa. Bem, trata-se de pinturas, esculturas e objetos muito importantes, historicamente, seja pelo período e locais onde foram concebidos, seja pelos artistas que o conceberam, como é o caso de Marc Chagall, Lasar Segall, Brecheret, Tarsila do Amaral, entre tantos outros expostos neste aconchegante e imperdível museu.

1 comentário

Escreva um comentário