MIS: maior exposição já realizada pelo MIS fala sobre a intimidade de Renato Russo e do Legião Urbana, que influencia gerações com poesias delicadas e letras marcantes

MIS Exposição Renato Russo: algumas semanas atrás, visitamos a nova exposição que se encontra no MIS, sobre o querido Renato Russo. Eu, por já ter 40 anos, vivi e curti a carreira do artista junto ao Legião Urbana durante minha adolescência, e então seus shows, letras e músicas me trazem centenas de boas recordações. Eu considero o Renato Russo, como um dos grandes poetas da minha adolescência, e uma voz crítica em relação ao país que construíamos, ou quem sabe, desconstruíamos naquele momento. Para quem não sabe, Renato Russo era extremamente metódico, detalhista e organizado, e por estes motivos, ele escrevia e mantinha diários e milhares de objetos em seu apartamento do Rio de Janeiro. Tudo isso permaneceu intocado até 2015, quando seu filho Giuliano Manfredini permitiu ao MIS que tratasse e catalogasse todo o material, e eis que o resultado disso tudo é a maior exposição já feita pelo Museu, pois o acervo é fantástico! A exposição mostra a história do artista a partir de mais de mil objetos pessoais, entre eles fotos, cadernos de escola, diários, manuscritos, vídeos, instrumentos musicais, objetos, cartas de fãs, reportagens, entre outros. Logo na entrada, o colorido corredor que dá acesso a exposição está tomado por notícias, cartazes, e palavras de ordem da época do Legião, como a célebre frase “ninguém respeita a constituição” que faz parte de uma de suas letras, e que segue tão atual, não é verdade? A exposição não está organizada de maneira temporal, nem por ordem de álbuns ou músicas, o que nos dá a liberdade de explorarmos o que mais nos interessa ao nosso ritmo. Adorei ter acesso a intimidade do artista, o que pode ser visto, por exemplo, em um de seus cadernos da época da escola, aonde vemos uma folha inteira com os dizeres “não devo rasgar o caderno do colega” 😉. Outra peça muito intima é uma carta que o artista escreveu para si mesmo durante períodos de internação contra o vício de drogas e álcool. Forte e visceral! O quarto de Renato também conta um pouco sobre o artista. É simples, sem nenhum luxo, e até um pouco sombrio com móveis antigos e um ar de quarto da casa da vó, sabe? Aprendemos muito sobre a história do artista e sobre o que estava por detrás de Renato Manfredini Junior, o verdadeiro nome no artista. Entendi, enfim, o porquê de Renato Russo ter diversas músicas em Inglês tão bem escritas e cantadas. Para quem não sabe, a sua mãe era professora de Inglês, e ele ainda morou alguns anos nos EUA durante a sua adolescência. Gostei também de ver aquela bata branca que o artista usou em shows emblemáticos, e tudo isso com músicas do Renato Russo tocando ao fundo! A exposição ainda mostra alguns shows do artista, e diversos instrumentos da banda. Fiquei maluco ao ver a evolução da letra de diversas músicas, já que para certas músicas são expostas diversas versões das letras, desde a sua concepção inicial até a letra final. É interessante ver a mudança nas letras, os comentários do próprio autor, e assim entender o quão difícil, demorado, e penoso é chegar a um trabalho final de qualidade. Ele era tão organizado que escrevia “rascunho 1”, “rascunho 2”e assim vai, até a concepção final das letras! Vimos bastante coisa também relacionado aos shows, com as ideias de que músicas tocar, a ordem das mesmas e o porquê daquelas músicas estarem ali, ou seja, entramos um pouco na intimidade e estratégia usada pela banda para ter mais sucesso com a crítica e o público. Vale notar também a parede recheada de cartas de fãs. Fiquei horas lendo algumas delas para entender como eles se relacionavam com o artista. Demais! No final da exposição, você ainda tem a possibilidade de assistir ao clip do hit “Tempo Perdido” através destes óculos de realidade virtual, sabe? Você verá diversas pessoas interpretando a música e você pode entrar em cada ambiente em 360 graus. Muito legal, né? Preciso falar mais alguma coisa? Visite a exposição. Vale muito a pena!

Avaliação geral: 8,7/ Acervo: 9,0/ Estrutura: 8,5/ Interatividade: 8,5

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