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Os Vilões de Shakespeare: Marcelo Serrado esbanja talento interpretando Shakespeare por apenas 30 reais

Os Vilões de Shakespeare: divertido monólogo interpretado pelo lindo e tudo de bom Marcelo Serrado 😉 surpreende, diverte e educa público no teatro Eva Herz

Os Viloes de Shakespeare: acordei cedinho no sábado há 2 semanas atrás, o que sempre faço aos finais de semana, pois quero curtir cada minutinho dele! Pensei em ir ao teatro, e eis que me deparo com o “gato” Marcelo Serrado e sua peça Os Vilões de Shakespeare aqui em SP. Eu já tinha ouvido falar muito bem sobre a peça que estava no RJ, e então, comprei 4 ingressos, sem saber ao certo quem convidar para nos acompanhar ao Teatro Eva Herz. Detalhe: os ingressos estavam e estão com preço promocional de R$30, então, na boa? Corre para o site ingressorapido pois o espetáculo fica em cartaz apenas até meados de Abril. A peça, escrita pelo Inglês Steven Berkoff, traduzida por Geraldo Carneiro e dirigida por Sérgio Módena, investiga situações, comportamentos e traços de personalidade que modelam alguns dos algozes shakespearianos. Confesso que Shakespeare não me impactava tanto desde a minha visita, 6 anos atrás, à bela cidade de Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, onde pude conhecer mais sobre o autor e sua vida. O espetáculo de agora me fez lembrar uma pequena encenação que assisti nos jardins da casa onde ele havia nascido. Devo admitir que aprendi agora muito ainda mais sobre o autor e seus personagens com a interpretação precisa e inteligente de Serrado, que considero imperdível! O roteiro da peça é uma mescla de ficção e realidade, pois o ator hora representa personagens, hora conduz uma palestra acerca dos pormenores existentes nas figuras dos anti-heróis shakespearianos. O ator abre a peça interpretando um texto trágico da obra do Inglês, para, em seguida, acender as luzes e conversar com a plateia sobre o significado de vilania. Ele pergunta para gente quem são os vilões atuais, e claro, alguns moradores da cidade de Brasília não são perdoados! A cada novo personagem exposto, Serrado explica os meandros da vilania, para na sequência interpretar passagens do personagem escolhido onde podemos ver o vilão atuando. É incrível como a vilania, as disputas de poder e a ambição que moviam personagens maquiavélicos de quase 500 anos atrás podem ser vistas hoje de maneira tão clara em políticos do nosso tempo. O que mais me assusta é ver que seguimos sendo manipulados por eles ;-( Serrado investiga as causas e os motivos que tornam os personagens vilões, através de uma jornada psicológica em que não condenamos a maldade simplesmente, mas sim, entendemos como ela se constrói e evolui à luz dos fatos e acontecimentos das vidas dos diferentes personagens. Por serem muitos vilões a serem interpretados, as cenas são relativamente curtas, mas creio eu, são suficientemente profundas para nos transportar ao mundo dos famosos Coriolano, Macbeth, Hamlet, Shylock, Oberon e Iago. Serrado se desdobra para viver cada um destes vilões com personalidade própria, já que cada qual carrega um arquétipo distinto, como o dissimulado, o tirano, o vingativo, e até o ingênuo. Uma das frases que me marcou foi “O vilão nunca sabe que é vilão”, justificada pela não consciência, por exemplo, de inúmeros políticos que roubam e fazem mil desastres, mas que pensam que está tudo bem, que não há mal algum! Fica para mim, o desejo e o compromisso de pensar mais e melhor sobre os políticos nas próximas eleições, afinal, o que temos visto no Brasil dos últimos anos é uma vergonha e um completo absurdo! Já ia me esquecendo de comentar sobre a conveniência do estacionamento no subsolo do conjunto nacional, e da proximidade de diversos restaurantes, inclusive comentados aqui no CurtaSP para curtir a noite. Nós não resistimos, e munidos de nossos livrinhos 2 em 1, fomos jantar com o nosso casal de amigos no descolado e delicioso ICI Bistrô, mas essa história ficará para um próximo post 😉

Avaliação geral: 8,7/ Montagem: 8,5/ Atuação: 9,0 / Espaço: 8,0

A mulher de Bath: Maitê Proença encanta com charme, beleza e atuação marcante no SESC Bom Retiro

A mulher de Bath: Espetáculo estrelado por Maitê Proença discute papel da mulher em nossa sociedade no ótimo e conveniente teatro do SESC em curta temporada

A mulher de Bath: estes dias tenho frequentado bastante a região central de São Paulo por conta de um curso de Francês que estou fazendo na unidade da Aliança Francesa que fica na região central da cidade. Por este motivo, tenho buscado aproveitar mais o que a região oferece, e um dos programas que fiz foi assistir a peça A mulher de Bath, encenado por Maitê Proença, no SESC Bom Retiro. Ela ficará em cartaz por alguns poucos dias, então, caso se interesse, corra para compre logo o ingresso para assistir a esta atriz sexagenária, sim, ela tem 60 anos, e segue bela e exuberante como sempre. O espetáculo fala sobre o papel das mulheres na sociedade masculina através de um texto escrito por Geoffrey Chaucer, no século 14. Tudo começa maravilhosamente bem, com a atriz entrando no palco e conversando de maneira franca com o público sobre o que será encenado a seguir. Uma atitude simpática e educativa, eu diria. Maitê interpreta uma senhora arrojada para aquele tempo, pois ela era livre, corajosa, e absolutamente bem-humorada. A história traz à tona os 5 casamentos que uma viúva havia tido e as artimanhas e truques impostos por ela para manter sua autonomia em todas estas relações. A conversa e a reflexão são atuais, porém em diversos momentos, os clichês aparecem, e então o roteiro perde um pouco de sua força e algumas reflexões acabam por ser simples para estes novos tempos. Ainda assim, na minha concepção, a peça é muito boa. A simplicidade do cenário e do figurino forçam o espectador a entrar no roteiro e nas reflexões da peça. O espaço do Teatro SESC no Bom Retiro é ótimo, seja por contar com estacionamento barato e conveniente, seja por ser um teatro espaçoso e com ótima estrutura. Finalmente a atuação da bela atriz é ótima, e a resposta a questão sobre “O que exatamente todas as mulheres buscam na vida?” que a mesma dá ao final da peça me parece absolutamente verdadeira, ainda que o tom e conteúdo da resposta possam incomodar a uns e outros.

Avaliação geral: 8,6/ Montagem: 8,0/ Atuação: 9,0 / Espaço: 8,5